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José Roberto Reynoso Filho: Mudanças do esporte e formação de cavalos novos

há 4 horas
4 min de leitura

O novo episódio do Clac Cast recebe José Roberto Reynoso Fernandez Filho, um dos maiores nomes da história do hipismo brasileiro. Com um currículo que reúne seis títulos de Campeão Brasileiro Sênior Top, participação nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, tetra no Indoor da SHP, ouro individual e por equipes no ODESUR e inúmeras conquistas nacionais e internacionais, o cavaleiro traz a autoridade de quem nasceu dentro das pistas, sendo filho do cavaleiro olímpico Alfinete.

Neste episódio, Zé Roberto analisa a transformação do mercado equestre no pós-pandemia, aponta os gargalos na transição das categorias de base, defende a regulamentação profissional dos instrutores e detalha a sensibilidade necessária para formar cavalos de Grande Prêmio na atualidade.


A urgente regulação dos profissionais

Diante do crescimento acelerado do número de praticantes no país, Zé Roberto faz um alerta sobre a falta de critérios na formação e atuação de instrutores no mercado nacional.


“Eu acho que os profissionais, para poderem dar aula e seguir na carreira, deveriam ser todos cadastrados pelo menos pela CBH. Como se fosse a ‘OAB’ para você poder ser advogado. Hoje, basta você ter a primeira pessoa que te pague e amanhã você já começa a dar aula, sem que ninguém saiba que experiência você tem”, defende o cavaleiro.


Ele compara o comportamento dos pais na educação acadêmica com o meio equestre: enquanto as famílias pesquisam detalhadamente o histórico e a filosofia de uma escola tradicional antes de matricular seus filhos, no hipismo muitas vezes as pessoas se "hipnotizam" pela beleza do cavalo e esquecem de buscar informações sobre o histórico de quem está ministrando as aulas. Essa falta de educação para os iniciantes também se reflete no desconhecimento da nova geração sobre lendas e cavalos marcantes do esporte, reforçando a necessidade de a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) estruturar cadastros, registros e resgates históricos mais acessíveis.


Reestruturação das categorias de base e valorização dos títulos

Ao analisar as mudanças ocorridas ao longo das últimas décadas, Zé Roberto critica a permanência excessiva de crianças em categorias de escola (como vara no chão, 40 cm, 60 cm, 80 cm e 90 cm) por anos sem evolução efetiva no esporte.

Para o cavaleiro, a estrutura ideal deveria focar em uma base direta na escola até os 80 cm, servindo de trampolim para a transição imediata para as categorias oficiais do esporte (Mini Mirim a 1,00 m, Pré-Mirim, Mirim, Pré-Júnior, Júnior, Young Rider, Amadores e Sênior). Além disso, ele propõe uma diferenciação clara no prestígio das competições, para ele: 

  • Campeonato Brasileiro: O título de Campeão Brasileiro deveria ser reservado exclusivamente às categorias oficiais de base e de rendimento.

  • Copa do Brasil: para Categorias Não-Oficiais. O torneios de categorias intermediárias ou de escola deveriam ser denominados como Copa do Brasil, preservando o sonho e o peso institucional de conquistar um verdadeiro Campeonato Brasileiro.


Formação de cavalos novos: diálogo, sensibilidade e o mental do cavalo

Com vasta experiência na formação de Cavalos Novos do Haras Agromen e de sua própria coudelaria, Zé Roberto destaca que os animais modernos já nascem com técnica de salto apurada pela seleção genética. O grande diferencial do treinador atual não é ensinar o cavalo a saltar, mas sim trabalhar a sua mente e a sua confiança.


“Antigamente, você colocava o cavalo em liberdade e ele não sabia como passar por cima da vara. Hoje, o cavalo já nasce sabendo. A nossa preocupação atual é com a formação de cabeça, para que o cavalo se sinta bem. Entrar na pista tem que ser agradável para mim e para ele, como um jantar agradável onde a conversa flui e você quer continuar para a sobremesa”, ilustra Zé Roberto.


Furar a bolha: levar o hipismo para parques públicos e mídias de massa

Apesar de os clubes hípicos e centros de treinamento estarem com lotação máxima após a pandemia, Zé Roberto argumenta que o hipismo continua em "bolhas fechadas" e precisa se aproximar do grande público para atrair patrocinadores de fora do setor.


“O esporte no Brasil é muito feito dentro de clubes fechados, o que gera receio nas pessoas de fora. Precisamos levar eventos para parques públicos, como o Parque Ibirapuera. Quantas milhares de pessoas circulam nesses locais em um fim de semana?”, questiona o cavaleiro.


Ele defende também a presença do hipismo em plataformas de transmissão de massa e canais de streaming (citando o modelo adotado pela CazéTV), tornando as provas visíveis e acessíveis para que o público entenda que o esporte pode ser praticado a partir das escolas de equitação.


Odesur 2026

O episódio encerra com um balanço de sua participação nos Jogos Sul-Americanos (ODESUR), onde conquistou a medalha de ouro por equipes para o Brasil e venceu a prova de caça de abertura com o Cornet Shot JMen, terminando na 6ª colocação individual. Ajudando a garantir a vaga do Brasil no Pan-Americano de Lima 2027, Zé Roberto projeta temporadas de 3 a 4 meses na Europa para lapidar sua tropa rumo aos próximos desafios internacionais com a casaca verde. 


Ouça o episódio completo do Clac Cast no Spotify ou no canal da 2clac no YouTube!

 
 
 

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