Charlie Bays: Dos Cavalos Novos ao Mundial em Aachen
O novo episódio do Clac Cast recebe Charlie Bays, cavaleiro sul-africano radicado no Brasil. Conhecido durante anos no circuito nacional pela sua atuação na formação de cavalos novos, Charlie compartilha a emocionante virada de chave em sua carreira que o levou de vitórias em Clássicos e Grandes Prêmios no Brasil até o pico da alta perfomance: a disputa do Mundial em Aachen.
Em uma conversa transparente e emocionante, o cavaleiro detalha como passou por um processo de mudança de mind set, a complexa logística de seis meses na Europa, a relação de transparência financeira com o proprietário de Ninety Stone Pullman, Alexander Schmidt, e suas análises sobre o mercado equestre, premiações e fomento ao esporte.
A virada de chave: de formador de cavalos novos a cavaleiro de Grande Prêmio
Durante grande parte de sua trajetória profissional, Charlie Bays foi reconhecido como um excelente formador de cavalos jovens. Raramente era visto — e nem se via — como um cavaleiro competitivo em provas de Grande Prêmio. A mudança começou com uma resolução pessoal de virada de ano para se tornar mais competitivo sem perder a essência do respeito ao tempo dos cavalos:
“Três anos atrás eu decidi me tornar um cavaleiro mais competitivo e de Grande Prêmio. O Zaz, meu coach esportivo, me ajudou a colocar as ideias no lugar. E esse ano ele me lembrou que, somente três anos depois de tomar essa decisão, eu estava entrando no estádio de Aachen galopando”, revela Charlie.
O divisor de águas dessa transição ocorreu em 2023, com a vitória no Mini Grande Prêmio de Campinas montando Ninety, quando o cavalo tinha 7 anos. Nos meses seguintes, o conjunto consolidou sua fase vitoriosa conquistando o Classico do Torneio de Verão da CHSA e o prestigiado Grande Prêmio Copa São Paulo, provando que é possível unir a paciência da formação de cavalos novos com a determinação do alto rendimento.

A estrada até Aachen: MERs, logística e o sacrifício pessoal
A vaga para o Mundial de Aachen exigiu um planejamento minucioso e o cumprimento dos índices de elegibilidade (MERs) nos Grandes Prêmios de Curitiba, Santo Amaro e Rio de Janeiro. A partir da confirmação dos MERs, Charlie estruturou um projeto de seis meses na Europa com enorme apoio logístico e pessoal: desde a contratação de novos profissionais para seguirem tocando a gestão e aulas da equipe no Brasil, até a compra de um Motorhome para fazer os fretes e morar com seu tratador nos primeiros meses na Europa. “Era um all in, mas mesmo sendo arriscado essa ida pra Europa para os meus negócios no Brasil, eu estava determinado a viver essa experiência e aproveitar essa oportunidade. Nem que depois eu precisasse começar no zero por aqui.”, contou.
Transparência e parceria com os proprietários
Um ponto marcante do episódio também a relação de confiança construída com Alex, proprietário de Ninety. Charlie reforça que a longevidade dos proprietários no hipismo depende de honestidade, prestação de contas e clareza sobre os riscos do esporte.
“Eu prezo muito pela transparência. O meu combinado com o Alex é: 'eu só vou ganhar a hora que você ganhar'. Nós, como cavaleiros, temos uma responsabilidade enorme de respeitar o dinheiro do proprietário. Não é custar X e ponto; é explicar exatamente por que custa X e como o investimento está sendo aplicado”, afirma Charlie.
O cavaleiro também estrutura três tipos de investimento no hipismo, que explica da seguinte forma:
Investimento Financeiro Puro: Focado na compra, valorização e venda comercial de cavalos. As contas devem estar na ponta do lápis para ter retorno financeiro. Que é difícil, mas possível.
Investimento de Consumo: Típico do cavaleiro amador que busca o cavalo para uso e lazer próprio. Caso se pague na venda do animal, já é lucro, pois o objetivo do cavalo é usufruir do esporte.
Investimento Sorriso (Patrocínio): Quando o proprietário se apaixona pelo projeto, vibra com a evolução do conjunto e financia o sonho esportivo do animal. Sem esperar lucro ou retorno financeiro.
Dentro dessa lógica comercial e em respeito ao retorno do proprietário, Ninety, atualmente com 12 anos, foi colocado à venda na Europa, garantindo que os recursos retornem ao investidor para realimentar o ciclo com novos cavalos novos e outros projetos visando a alta perfomance.
Brasil x Europa: volume de criação, premiações e o nível do esporte
Ao comparar o mercado nacional com o europeu, Charlie afasta críticas simplistas sobre a qualidade dos cavaleiros e cavalos brasileiros, destacando que o nível técnico das provas Sênior Top no Brasil equivale perfeitamente ao circuito internacional. Para ele, o verdadeiro gargalo está no volume e nas premiações: o Brasil produz menos animais e tem menos cavaleiros, a falta de premiação dificulta que a conta do cavalo de alto rendimento feche positiva.
Ouça o episódio completo do Clac Cast no Spotify ou no YouTube da 2clac.



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