Marcelo D’Arienzo fala sobre fomento à base, profissionalização, gestão e projetos da FPH
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O novo episódio do Clac Cast recebe o cavaleiro amador, empresário e presidente da Federação Paulista de Hipismo (FPH), Marcelo D’Arienzo. Em seu último ano à frente da Federação, o profissional compartilha sua visão empreendedora sobre o esporte, relembra sua trajetória desde as categorias de base e propõe reflexões profundas sobre governança, gestão financeira e o fortalecimento do ecossistema hípico brasileiro.
Com uma carreira consolidada no mundo dos negócios fora do cavalo, Marcelo é um exemplo de dedicação voluntária ao esporte. Tendo assumido cargos diretivos no Clube Hípico de Santo Amaro e, posteriormente, a vice-presidência e a presidência da FPH, ele defende que a doação de tempo e de competências por parte de pessoas de sucesso do meio são um motor para a evolução do hipismo nacional. "A profissionalização da gestão será um caminho natural com a evolução do esporte, mas atualmente a FPH e CBH ainda não estão prontas financeiramente para contratar um CEO, por isso a participação dos atletas é tão importante", comenta.
Qual o real impacto econômico do hipismo?
Um dos marcos mais expressivos de sua gestão foi a iniciativa de quantificar o mercado para atrair patrocinadores externos de grande porte. Para isso, a FPH encomendou um estudo independente e isento à ESALQ/USP, trazendo dados consolidados sobre o setor. Clique aqui para acessar o artigo.
“Procuramos a ESALQ para termos números isentos e não enviesados. O estudo revelou que o esporte movimenta, pelo menos, R$ 140 milhões no estado de São Paulo dentro da Federação Paulista. E esse número é muito conservador, pois cerca de 60% do esporte ainda acontece à margem da regulação oficial da federação”, comenta Marcelo.
Para o presidente, o grande desafio agora é utilizar estes dados para "abrir a janela" do esporte. Em vez de depender apenas de conexões pessoais e transmissões pontuais pagas na televisão, a meta é consolidar parcerias estruturadas com canais de mídia tradicionais e de streaming para furar a bolha e aproximar o público geral da beleza e das emoções do hipismo. "Não só por ser um esporte de elite que o hipismo não deve ser transmitido, a gente tem a transmissão de outros esportes de elite como a Fórmula 1. Eu acho que o caminho é simplificar e tornar o esporte mais acessível", afirma.
Fomento à base: reduzindo o abismo social no esporte
Tendo começado sua trajetória aos 10 anos, na escolinha de Santo Amaro, Marcelo enxerga o fomento à base como o projeto mais importante e pessoal de seu mandato. Ele aponta o enorme "gap" econômico existente na transição do esporte básico para o de alto rendimento.
“O abismo é tremendo. A pessoa sai de uma situação em que paga R$ 500 a R$ 600 por uma aula semanal na escola de equitação, e passa a investir, no mínimo, R$ 4.000 mensais para manter um cavalo estabulado. Nosso papel também é facilitar e criar oportunidades para quem quer fazer essa transição e começar a ter seu próprio cavalo”, explica.
Sob sua liderança, a FPH adotou medidas práticas para impulsionar a base de forma profissional em todas as modalidades (Salto, Adestramento, Volteio, Atrelagem e Enduro). Algumas das iniciativas citadas por Marcelo no episódio foram:
Taça FPH: Um circuito de Salto voltado para as categorias de base, que atraiu o patrocínio do Haras SASA Horses.
Retomada das Regionais (Salto Iniciante): Um projeto liderado pelo diretor William para descentralizar as competições, garantindo provas oficiais e estruturadas em todo o estado de São Paulo, não só na capital.
Circuito de Cavalos Novos: Reestruturado com 5 etapas de dificuldade progressiva e armador fixo, culminando nos Jogos Equestres Paulistas, com premiações em dinheiro para incentivar criadores e proprietários.
Dignificar e profissionalizar o meio
Retomando as discussões iniciadas por Ivo Roza Filho sobre a escassez de mão de obra especializada no setor, Marcelo D'Arienzo enfatiza que o futuro do esporte depende diretamente do cuidado com os tratadores de cavalos. Ele traz como exemplo de sucesso sua relação de 27 anos com Ditão, seu fiel escudeiro desde 1999.
“Um relacionamento de longo prazo só funciona quando você dignifica o trabalho do profissional. Isso passa por duas frentes: qualificar a mão de obra de forma organizada e remunerar melhor”, comenta.
O presidente argumenta que o avanço da inteligência artificial tornará o trabalho manual e de cuidado direto ainda mais escasso e valioso, pois são funções insubstituíveis. Entre as ações da FPH para melhorar a infraestrutura e o bem-estar dessas equipes nos concursos, destacam-se:
Lounge dos Tratadores: Espaço de acolhimento inaugurado no CSN d'Maio no CHSA, oferecendo área de alimentação e descanso para os tratadores.
Alojamentos Móveis: Um projeto piloto de apartamentos móveis em concursos que seriam oferecidos como serviço extra aos proprietários, para garantir acomodação digna para os tratadores nas competições.
Adaptação para Mulheres: Ajustes estruturais obrigatórios nos vestiários dos clubes para atender ao crescente número de tratadoras no meio hípico.
Uma visão sobre a evolução do mercado
Ao analisar o mercado de cavalos, leilões e criação (que viveu uma forte expansão durante a pandemia e agora passa por um ajuste cíclico), Marcelo utiliza uma analogia com o mercado de vinhos, onde também atua: “O consumo de vinho cresceu quase 50% na pandemia, e o comportamento do consumidor mudou. Não existe 'ex-tomador de vinho', e com o cavalo é igual. O que vemos agora é o desejo de praticar um esporte melhor. As pessoas querem cavalos de melhor qualidade, profissionais mais qualificados, roupas e equipamentos superiores e eventos mais organizados”, conclui.



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