Érica Sportiello: trajetória internacional nos bastidores do esporte
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O novo episódio do Clac Cast contou com a participação de Érica Portiello, uma das mais renomadas course designers do Brasil, com atuação em grandes eventos, incluindo a função de Gerente Geral de Instalações Equestres nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O foco da conversa abordou sua trajetória no esporte, a complexidade técnica por trás da armação de percursos e os desafios estruturais nos bastidores das grandes competições equestres.
A técnica e a sutileza na armação de pistas
Muitas pessoas não percebem a profundidade técnica exigida para organizar os obstáculos em uma pista de salto. Érica explica que o trabalho de um desenhador de percursos vai muito além de espalhar varas, envolvendo um jogo fino de distâncias, a velocidade de abordagem, a influência das cores e o contraste dos obstáculos com o fundo. A armadora compara a criação de um percurso à composição musical, onde tudo precisa fluir perfeitamente. “Existe uma musicalidade nas linhas, no traçado, ele tem que ser harmonioso”, detalha Érica.
Ela acredita que o curso de desenhador de percurso pode agregar muito aos cavaleiros, que com conhecimento passam a reconhecer o percurso entendendo melhor as exigências do desenhador.
Trajetória de constância e o papel da mulher
Formada em psicologia, Érica construiu sua carreira no alto rendimento do hipismo aproveitando oportunidades como voluntária em competições internacionais, observando de perto os mais renomados armadores do mundo. Sobre o segredo para se consolidar na profissão, ela é clara: “O nome disso é constância. Sabe quando você não desiste e continua. Quando você vê, já tem uma trajetória”, pontuou.
O episódio também trouxe uma reflexão sobre as exigências da profissão e a presença feminina nos esportes equestres. Érica ressalta as intensas renúncias pessoais da carreira e reflete que as mulheres, por questões culturais, ainda se cobram muito mais para conciliar o trabalho intenso com as demandas familiares. “As renúncias da profissão são as mesmas para homens e mulheres, mas as mulheres se cobram muito mais pela ausência em casa", afirma.
A regra de ouro dos grandes eventos
Com a experiência de uma Olimpíada nas costas, ela conta que o maior aprendizado como Gerente Geral das Instalações Equestres foi aprender a “fazer briefing”dos pedidos aos colaboradores. “Você precisa saber alinhar todo o pessoal que está trabalhando no projeto para que todos estejam na mesma página sobre cada item exigido". explica.
Ao falar sobre infraestrutura e as prioridades na organização de provas, Érica revelou o que é verdadeiramente crítico para o sucesso de um evento hípico. Para ela, itens luxuosos ficam em segundo plano se o básico faltar: “Tem três coisas importantes no esporte, numa competição equestre: o piso, o piso e o piso. Se você não tiver um bom piso, você não precisa de área VIP, não precisa de estandes, não precisa de mais nada. O cavaleiro não vai saltar, você não vai ter concurso”, cravou Érica.



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