Regulamento de Salto CBH e metas do Time Brasil em 2026
- 24 de fev.
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O primeiro episódio da temporada 2026 do Clac Cast contou com a participação de Daniel Khury (Diretor de Salto da CBH), Pedro Paulo Lacerda (Diretor Técnico e Chefe de Equipe do Time Brasil) e Tatiana Gutierrez (Secretário-Geral da CBH). O foco da conversa: as metas do Time Brasil, as mudanças regulatórias para 2026 e o impacto direto dessas decisões para cavaleiros, proprietários e organizadores.
Time Brasil: metas internacionais
O Brasil iniciou o ciclo com um resultado expressivo: medalha de bronze na Longines League of Nations, marcando o retorno à competição que reúne as nações top 10 do mundo, após um ano de ausência. “Marcou um início de temporada muito animador para nós. Apesar das nações não estarem com seus cavaleiros principais, tivemos uma participação muito boa”, pontuou Pedro Paulo.
O modelo de gestão da equipe é descentralizado. Em vez de um técnico único, o trabalho é conduzido por uma comissão técnica que leva em conta a dispersão geográfica dos cavaleiros — hoje baseados no Brasil, Europa e Estados Unidos. A seleção prioriza desempenho objetivo em pista, condição física dos cavalos e avaliação técnica da comissão composta por: Pedro Paulo Lacerda, Daniel Khury, Constantino Scampini (presidente da CBH) e Dr. Rogério Saito (veterinário Time Brasil).
As metas do ano passam pelo Mundial, pela final a Longiness League em Barcelona e, principalmente, pelo Odesur, considerado decisivo na busca por vaga no Pan-Americano e no caminho olímpico.
Circuito Sênior Top e o incentivo ao alto rendimento nacional
A participação no Odesur foi tratada como estratégica não apenas para o ranking internacional, mas também dentro do planejamento do Comitê Olímpico Brasileiro. A intenção é levar uma equipe competitiva, com forte presença de cavaleiros residentes no Brasil, estimulando o desenvolvimento interno da categoria Sênior Top. “Pelo menos dois conjuntos da equipe para o Odesur serão residentes no Brasil, o líder do Circuito Senior Top e o Campeão Brasileiro deste ano”, explica Daniel Khury.
Nesse contexto, a CBH anunciou um aumento significativo na premiação do Circuito Sênior Top. Cada etapa passa a oferecer no mínimo R$ 300 mil em premiação total. O objetivo é reduzir o “gap” técnico com Europa e Estados Unidos e incentivar investidores a manter cavalos de Grande Prêmio no país. “Hoje um cavalo do Circuito frequentemente paga seu investimento no ano esportivo com as premiações das provas”, confirma Pedro Paulo.
Mudanças regulatórias: o que impacta o dia a dia
Os integrantes da CBH detalharam alterações importantes no Regulamento nacional de Salto, muitas delas alinhadas às diretrizes da FEI.
Entre os principais pontos:
Introdução do Cartão de Advertência (warning) para casos de sangue acidental, distinto do tradicional Yellow Card.
Suspensão automática e multa após dois warnings em 12 meses.
Proibição do uso de celulares e dispositivos eletrônicos na área de aquecimento por atletas montados.
Progressão da idade da categoria Master até 50 anos.
Ajustes nas categorias de base, incluindo redução de altura no Mini-Mirim e mudanças no formato do Jovem Cavaleiro B.
Novo calendário hípico para as categorias de Cavalos Novos.
As alterações buscam maior padronização internacional, clareza disciplinar e segurança jurídica nas decisões técnicas.
Cavalos novos: nova idade hípica e ajustes de altura
A idade hípica dos cavalos passa a mudar em agosto. A medida visa alinhar o Brasil ao mercado internacional e evitar prejuízos comerciais para cavalos nascidos no hemisfério sul. “Na verdade é uma adequação à regra da FEI. Agora que não temos mais a barreira sanitária, temos prova Internacional de Novos no Brasil e os criadores têm interesse em participar do Mundial de Cavalos Novos, temos que nos adequar a isso”, afirma Daniel.
Além disso, as provas de 5 anos deixam de ser exclusivamente ao cronômetro, passando a adotar um sistema de tempo ideal chamado de “tempo ótimo”, 4 segundos abaixo do concedido, visando incentivar técnica e aprendizado progressivo.
“Essa mudança parece mais radical no papel do que será de fato. O início do ano hípico será progressivo e as alturas máximas mudaram para ser uma transição mais suave para os cavalos. Nenhum animal irá se perder nessa transição", afirma Tatiana.
Os Cavalos Novos têm novas alturas máximas:
1,20m para cavalos de 5 anos
1,30m para cavalos de 6 anos
1,40m para cavalos de 7 anos
Direção estratégica para 2026
O episódio deixa claro que, para a CBH, 2026 não é apenas um ano de ajustes regulatórios, mas sim um movimento estruturado para fortalecer o esporte nacional, preparar o Time Brasil para metas internacionais e modernizar a governança do esporte.



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