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Camila Ribeiro: tratadora por paixão

Encerrando a nossa série de episódios pelo Dia Internacional da Mulher, o novo episódio do Clac Cast é com Camila Ribeiro, tratadora há 12 anos. Ela conversou com a gente sobre as dificuldades, a entrega e a realização que ser tratadora de cavalos de esporte traz. 


A Camila é do interior de Minas e sempre teve envolvimento com cavalo, passou por outras modalidades, mas foi no Salto que se sentiu abraçada pela comunidade equestre e onde pretende passar o resto da vida trabalhando. “No Tambor não tem mulher, no meio do mangalarga também não tem mulher no manejo. Já o hipismo sempre me abraçou”, conta.


Sua trajetória como tratadora começou por puro interesse de estar mais perto dos cavalos. Como não encontrou um curso para aprender a cuidar de cavalos, aceitou passar 30 dias como temporária em um Haras perto de sua casa, ainda com 16 anos. “Aquilo me instigava, quanto mais eu ia para ajudar, mais eu queria estar lá. É um vício. O cavalo não tem explicação!”,  relembra contando a história de como encontrou a profissão da sua vida. 



“De todos os locais que eu já passei, todos falaram a mesma coisa: a mulher tem um jeito diferente de cuidar dos cavalos, de se conectar com eles. E eu não faço ideia de porque tem tão poucas tratadoras mulheres” - Camila Ribeiro 


Sobre as emoções do hipismo, Camila conta que torce muito pelos seus cavalos e que, sem dúvida, “o arrepio do esporte” foi uma das coisas que a surpreendeu neste trabalho. “Eu nunca tinha sentido a sensação de ganhar nada, mas ganhar um Brasileiro foi incrível. Minha patroa veio e me abraçou e eu fiquei toda arrepiada, o coração disparou, eu comecei a chorar. Aquilo foi inesquecível”, conta sobre o primeiro Campeonato Brasileiro fora de Minas em que trabalhou. 


Sobre a posição das mulheres em meio a um contexto tão machista como o dos tratadores e bastidores do esporte, Camila surpreende ao falar que existe muita gentileza, respeito e uma verdadeira rede de ajuda entre a classe. “No início eu sentia que sempre existia um pouco de interesse por trás, mas hoje tenho grandes amigos e todos se ajudam muito”. 


Ainda assim, apesar da melhora de infraestrutura nos eventos, Camila conta que a falta de um banheiro feminino é quase uma constante e que não existe uma pessoa da organização com quem possam tratar sobre qualquer demanda ocasional no evento. “Não temos a quem pedir apoio nos eventos, mas a gente vai perguntando, aprendendo e se virando”, afirma. 


Para conferir todo o nosso papo com a Camila, clique aqui e escute o episódio no Spotify.


foto: 2clac

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