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CBS Amador e Senior Top: a trajetória por trás das vitórias

Conversamos com os campeões das 5 categorias disputadas. Confira:


Entre os dias 7 e 10 de julho, as pistas de grama e areia da Sociedade Hípica Paulista foram palco do principal campeonato nacional do ano para as categorias de cavaleiros amadores e os conjuntos que saltam na mais alta performance do esporte: o Campeonato Brasileiro de Salto (CBS) de Amadores e Senior Top. "Ganhar é sempre muito bom, mas o Brasileiro é melhor ainda! A sensação de dever cumprido é enorme", foi o resumo das emoções da semana por Bruno Limongi, campeão da categoria Amador Top (1.30m) com Thara JMen III.


O campeonato contou com números impressionantes: foram 1.116 inscrições nos 4 dias de provas, com 498 cavalos presentes e 386 competidores, representantes de 17 estados diferentes e também atletas do Exército Brasileiro. No CBS, o principal para ser campeão é chegar no último dia de prova com três percursos zerados, pois os conjuntos que fizerem quatro percursos zerados em três dias de prova, vão para um desempate, em que ganha quem for o mais rápido com menos pontos perdidos.


ARMAÇÃO DE PERCURSO


Na categoria Amador A, 1.10m, mais de 115 conjuntos buscavam a vitória. Para definir um campeão brasileiro com tantos participantes, sem dúvida a armação de percurso foi um grande diferencial.


Coube aos consagrados course-designers Lucia Faria Alegria Simões e Gabriel Malfatti a missão de armar provas que trouxessem a dificuldade e destreza exigidas em um Brasileiro, mas sempre com o máximo de segurança aos conjuntos.


E ambos foram muito elogiados pelos campeões, do 1m ao 1m60. "Os percursos foram muito técnicos, exigindo dos conjuntos uma máxima atenção e habilidade. Gostaria de parabenizar o excelente trabalho realizado pelo desenhador dos percursos", comentou Agamenon Alves Junior, vencedor da categoria Amador B (1m), montando CEHJUR Quindoctro.


"Acho que foi um campeonato bastante técnico, começou mais suave, mas da forma que tem que ser em um primeiro dia. Depois o Gabriel foi apertando, e acredito que ele tenha acertado em cheio a forma de armar. Prova disso foi um único zero e zero no GP. Terminei campeão com 4 pontos no campeonato, os outros cavaleiros com mais pontos, então foi uma armação justa para um campeonato deste porte, ele não poderia ter apertado mais que isso", comentou Doda Miranda, cavaleiro medalhista olímpico, que sagrou-se campeão brasileiro Senior Top 2023 com DTC Dinozo un Prince.


DIFICULDADES INESPERADAS


Além do percurso, o piso da pista em si também foi um desafio para a campeã da categoria 1.20m, Isabela Czarneski e Kardashian. "No nosso último concurso, a Copa JK, foi a primeira vez que o Kardashian pulou na grama, e ele não pulou bem, se segurou um pouco. E aí isso foi um grande receio para o Brasileiro, quando eu vi que a prova seria na grama. Mas ele é muito inteligente e está amadurecendo cada dia mais, sempre um dia melhor que o outro. Com só 7 anos, as dificuldades que ele passa são sempre por falta de experiência, mas ele quer sempre fazer certo! Basta uma vez que depois ele já vai melhor. E no Brasileiro não foi diferente: desde o primeiro dia na grama ele saltou super bem!", contou a campeã.


Além do frio na barriga "programado", também ouvimos a história de imprevistos de Agamenon dias antes do campeonato. "Chegamos em São Paulo no dia 30/06, para participar do campeonato, aparentemente sem maiores pretensões, e já no primeiro treino, no dia 01/07, deu tudo errado, com vários erros de minha parte, o que me desmotivou bastante. Mandei os vídeos para meu professor, Bigorna, que se encontrava na Europa e estava chegando em SP no dia 04/07, ele me falou sem titubear: 'não se preocupe, você será o campeão brasileiro'. Mas na segunda-feira que antecedeu o campeonato, tive um problema grave de saúde, que me levou a um atendimento de emergência e me fez repensar em participar da competição. Fato é que Deus e meus filhos, que estavam o tempo todo ao meu lado, fizeram-me superar as dificuldades. Voltei para treinar e foi melhor, na adaptação, resolvemos fazer todo o percurso, e a partir daí fomos melhorando a cada dia até conquistar ao final o tão sonhado título".


A FORMAÇÃO DE CAMPEÕES

Vale a pena conhecer a história desses conjuntos!


"O Dinozo é um sela francês de 10 anos, foi comprado na Europa, quanto tinha 4 pra 5 anos, pelo Marcos Pileggi, e formado pelo Flávio Abreu Bernardes, que também foi quem achou ele para compra. Ele chegou há pouco mais de um ano no Brasil para mim, após a oportunidade de comprar e importar alguns cavalos da Europa.

O Dinozo é um cavalo extremamente voluntarioso e inteligente, muito limpo e potente. É competitivo e tem todas as qualidades, além de ser muito bonito. Quando chegou seu trote era um pouco mais curto, então foquei muito no trabalho de plano, não muito pelo equilíbrio e boca, porque são ótimos, mas para desenvolver principalmente a musculatura do dorso, para ele poder se empurrar melhor e hoje ele tem uma amplitude boa, até com lance longo para o tamanho dele. Ele tem todas as qualidades e isso deixa a parte do cavaleiro muito mais simples. Dentro do percurso, ele vira um gigante e joga muito a favor do cavaleiro.

É a sua principal característica, a garra, a gana que ele tem, o coração gigante.

O Dinozo classificou em todos os GPs que participou desde o ano passado e vem melhorando. Ficou três vezes com a quinta colocação, venceu e levou um segundo lugar, e agora sagrou-se campeão brasileiro" - Doda Miranda


"Meu cavalo é o Kardashian, eu o comprei em outubro do ano passado, de forma inesperada. Havia perdido meu outro cavalo, estava muito triste e desacreditada, decidindo se queria voltar a montar ou não. Mas o Rhavy é como todo mundo conhece, não ia deixar eu me desanimar. Ele me chamou para experimentar um cavalo falando que era para outra pessoa, para eu não perder o ritmo. E chegando lá fez eu me apaixonar pelo cavalo, a gente se deu bem logo de cara. "Misteriosamente" depois de duas semanas ele estava em Brasília, e o Rhavy falou para eu experimentar mais. A gente está há pouco tempo juntos, ele está com sete anos, tinha pulado poucas provas de 1.20m e estamos crescendo juntos. Ainda não tivemos muitas vitórias, estamos nesse demorado processo de ajustes, que todo mundo sabe. Mas no CBS ele veio e me mostrou da maneira mais incrível que também merece todo meu amor!" - Isabela Czarneski


"O CHEJUR Quindoctro chegou em nossas mãos em 2021, comprei para mim, mas no primeiro mês minha filha fez uma clínica do Sérgio Marins com ele e acabei presenteando-a e ficando com a égua dela. Montar nele é a melhor coisa para um Amador ou um profissional, pois se trata de um cavalo extremamente franco, limpo, ágil, muito rápido, de um coração gigante, muito concentrado nas provas, avança e recua com facilidade. Enfim, é um cavalo realmente extraordinário, guardando todas as características de um verdadeiro campeão" - Agamenon Alves Junior


"Conheci a Anis das Cataratas no começo do ano de 2020 quando ela tinha 5 anos e veio para Curitiba para comércio do Haras Cataratas. Ela havia saltado apenas uma prova na vida, que foi naquele ano. Como o ano foi da pandemia e o calendário hípico ficou suspenso, ela ficou na Hípica Paranaense apenas trabalhando. Como o biotipo da Anis é igual o meu, somos compactas (risos), acharam interessante que eu saltasse ela. Naquela época eu tinha dois cavalos e não tinha a pretensão de comprar mais um. Porém a conexão que tive quando montei a Anis foi rápida e intensa. Mesmo assim mantive com o discurso de não comprar. Como o interesse do Haras era a venda e ninguém havia tido interesse pela égua, pois a Anis é uma égua de porte menor, o Haras resolveu a levar embora para Foz do Iguaçu. Porém no final de semana da ida da Anis teve um ranking da SHPR, liberado no meio da pandemia, no qual saltei e sofri um acidente com um dos meus cavalos. Ele tropeçou e rodamos juntos no chão e acabei fraturando minha clavícula direita. Como este meu cavalo que eu tinha muito amor já vinha tendo tropeços e eu já havia feito de tudo para melhorá-lo dessa situação, percebi naquele momento que poderia estar sendo prejudicial continuar saltando com ele, e decidimos com os veterinários por anteciparmos a sua aposentadoria aos 14 anos. Eu senti que era um sinal! Anis veio pra ser minha! Comprei a Anis com a minha clavícula fraturada" - Hannelyze Wagner


"Minha égua se chama Haevenly Blue, eu comprei do Lucas Mesquita com 7 anos, demorei um pouco pra me adaptar por ela ser muito delicada de boca. Mas com o tempo consegui me encaixar. Ela tem 11 anos agora, já são 4 anos de parceria. Ela é muito sensível e muito inteligente, mas sua principal característica é a personalidade. Ela tem um temperamento bem típico de égua, com manias, sabe o que gosta e o que não gosta, e deixa isso bem claro. Tudo com ela precisa ser com calma e paciência. No amor e na repetição, ela aprende e te entrega tudo que você pede. Ela tem uma vontade infinita de fazer o melhor sempre, com um coração gigante. Esse foi nosso primeiro campeonato, mas já ganhamos algumas provas. Foi com ela que saltei meu primeiro Classico a 1.45m, que nunca esteve nos meus planos saltar, mas ela foi me dando uma confiança que nem eu sabia que tinha" - Bianca Matarazzo


"Compramos a Thara pra ser das crianças, o plano era rodar um pouco comigo até passar pra eles. Acho ela espetacular, muito fácil e inteligente. Fomos vice no Paulista e o plano no Brasileiro era chegar zerado na final. No desempate deu tudo certo, todas as distâncias apareceram seguindo avançando e ela estava saltando muito!" - Bruno Limongi



APRENDIZADOS


Para além das boas histórias, os campeões contaram sobre possíveis diferenciais que os levaram a vitória. Alguns valem como aprendizados a todos que um dia querem chegar ao título. Confira:


"Acredito que a vitória sempre vem de um bom planejamento, treinamento e dedicação, dentro e fora das pistas. Porém somente isso não define um conjunto campeão. O amor diário com a Anis faz com que a nossa conexão seja extremamente forte e tenhamos a melhor troca dentro das pistas. Somos uma só em busca de um mesmo objetivo", refletiu Hannelyze.


Para Doda Miranda, não houve um grande diferencial, já que alguns conjuntos eram muito bons e também estavam brigando pelo título. "Acho que talvez eu tenha sido coroado por todo o trabalho duro que tenho feito. Com um planejamento bom, estou conseguindo cumprir meus objetivos 100%. Deixando claro que nem sempre obtemos a vitória, mas podemos atingir objetivos respeitando os limites nossos e dos cavalos: tiveram GPs que não ganhei mas fiquei em 5o e continuei evoluindo, então isso tem que ser contado como vitória. Nem sempre a vitória é o primeiro lugar", comentou o olímpico.


Outro ponto chave citado foi a importância de controlar a ansiedade e ter uma cabeça boa para competir. "Aprendi a lidar com a minha cabeça. Acho que é uma dica que fica pra todo mundo: nosso esporte é muito mental, então a gente precisa estar sempre trabalhando nossa cabeça, correndo atrás do autoconhecimento e das dificuldades que a gente acaba colocando para nós mesmos. Então eu acho que esse trabalho que venho fazendo há alguns anos faz diferença. Controlar as emoções e não deixar a minha cabeça me ganhar", contou Isabela.


Para nós, da 2clac, foi muito emocionante acompanhar todas as disputas através das nossas lentes. Parabéns a todos, classificados, instrutores e suas equipes, porque sabemos que neste esporte os bastidores vão muito além da pista e do dia de prova.


Para conferir todos os resultados do CBS Amador e Senior Top, clique aqui.



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